segunda-feira, 29 de julho de 2013

Entrevista com Neimar Oliveira da Silva, medidor de percursos

Depois de ter lido esta matéria (Provas sem Percurso Aferido no Brasil) na Revista Contra-Relógio (leia também este post do André Savazoni), fiquei interessado no assunto aferição de provas. Tanto é que minha definição de recorde pessoal só vale para provas aferidas.

A maioria dos percursos medidos (aferidos) oficialmente aqui no Paraná, como se pode ver na página da Federação de Atletismo do Paraná, é aferida por Neimar Oliveira da Silva. Abaixo uma entrevista com ele.

Neimar em ação medindo o percurso da Meia Maratona de Curitiba.

Foto de Neimar Oliveira da Silva por Elton Damasio (blog Fôlego - Gazeta do Povo).

Entrevista


1) Qual o seu histórico na corrida? Quando começou a correr, de que provas participou?


Comecei a correr em 1983. Participei de centenas de corridas de rua, das mais variadas distâncias e em muitos lugares no País e no exterior. Tenho no currículo 63 (sessenta e três) Maratonas completadas, em Blumenau (na época boa), Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, BH, São Paulo, Rio de Janeiro, Buenos Aires, Berlim, Paris, Boston, Nova Iorque (oito vezes). Meu melhor tempo em Maratona é 2h40m12s, no Rio de Janeiro e aos 45 anos de idade.

2) Há quanto tempo o senhor é medidor de percursos? Qual sua formação (isto é, que cursos teve que fazer para ser medidor de percursos)?

Sou Medidor/Aferidor de percursos de corridas de rua há dez anos. Faço parte do  Painel de Medidores da IAAF e da CBAT,  tendo participado de vários cursos  destas entidades,  sendo credenciado por ambas e atuo no Brasil e no exterior.

3) Quando o percurso é divulgado na página da Federação Paranaense de Atletismo http://www.atletismofap.org.br/Corrida.html  como tendo sido "medido oficialmente", isto garante que a prova tem a distância exata que os organizadores anunciam? Pergunto isto porque já participei de provas que diziam ter 10K mas, ao chegar na prova, fiquei sabendo que tinha um pouco mais do que 10K, fato reconhecido pelos próprios organizadores.


Os percursos de provas participativas, embora p.ex. o nome da prova seja 10K, às vezes, por questões de adequação por parte do organizador – ex. largada/chegada fixas no mesmo lugar e sem opção de arranjos, pode ter uma medida superior, e como você mesmo constatou, tem que ser anunciado aos corredores pelo organizador, antes da largada, a distância efetivamente medida. Porém os quilômetros intermediários são devidamente demarcados no pavimento para a colocação das placas indicativas e controle dos próprios participantes. 

4) Muitos corredores sequer conhecem o trabalho do medidor de percursos. Você acha que a profissão deveria ser mais reconhecida?

Não chega a ser uma profissão.


Mais sobre Neimar Oliveira da Silva


Leia matéria Correr é Preciso que o Blog Fôlego da Gazeta do Povo fez com Neimar explicando bem o processo de aferição.

Aqui você pode ver fotos do Sr. Neimar aferindo o percurso da Meia Maratona de Curitiba 2013.


Links que podem ser úteis



Percursos medidos pela CBAt: http://www.cbat.org.br/corrida/medicao/percursos_medidos.asp

Percursos medidos pela FAP: http://www.atletismofap.org.br/Corrida.html



Calendário de Provas Nacionais CBAt: http://www.cbat.org.br/corrida/calendario/calendario_ano.asp?ano=2011&s=RA

Saiba como é feita a aferição de um percurso

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Barriga de Trigo, de William Davis

O Dr. José Carlos Souto já comentou em seu blog, mas não custa nada repetir aqui. O livro Wheat Belly, de William Davis (que pode ser comprado em inglês na sua versão digital na Amazon.com.br), grande sucesso nos EUA, foi traduzido para o português.

A tradução se chama Barriga de Trigo:



Hoje folheei um exemplar fĩsico do livro nas Livrarias Curitiba. É um livro fantástico. Aborda desde a origem do trigo que consumimos hoje, passando pelos inúmeros problemas que causa (mesmo a quem não é intolerante a glúten como eu) e finalizando com uma sugestão de como se alimentar (uma dieta estilo paleo/lowcarb).



Quem acompanha este blog sabe que desde setembro do ano passado sou paleo/lowcarb. E o que significa ser paleo/lowcarb? É tentar ao máximo comer comida de verdade. Para mim tem dado certo.

E porque isto é importante para corredores? Porque muitos corredores acham que precisam comer muito carboidrato. E quando se fala em carboidrato, muitos corredores pensam em derivados de trigo (pães e massas). Tanto é assim que algumas provas até organizam o retrógrado e prejudicial (rs) Jantar de Massas.

Qual é o resultado deste abuso de carboidratos, segundo a teoria paleo/lowcarb? Muitos corredores acima do peso, apesar de se exercitarem bastante. O livro explica como isso acontece.

A propósito, uma grande revista de circulação nacional está preparando uma matéria sobre o livro. Deve ser publicada nas próximas semanas. 

Portanto, fica a sugestão de leitura. Se você gostou da sugestão, comente abaixo. Você toparia ficar sem seu pãozinho e seu macarrão?




sexta-feira, 19 de julho de 2013

Fila Night Race 2013: foi recorde pessoal???

Participei, neste sábado 13/07/2013, da Fila Night Race Curitiba. Ganhei a inscrição (melhor ainda, inscrição VIP) para a prova numa promoção da Fila no Facebook. Levem isso em consideração ao ler meu comentário sobre a organização da prova, no final deste post.


Eu, Divino Julian e dois de seus amigos.



Eu tinha treinado duas semanas especificamente para esta prova. Eu treinei o ano inteiro, claro, mas com foco em 10K e 21K. Só nas duas semanas antes da prova eu foquei nos 5K, fazendo um pouco mais de treinos de tiro. Não sei se está relacionado aos treinos de tiro (acredito que esteja) mas na sexta-feira antes da prova comecei a ficar gripado. Resultado: fui para a prova sem estar com 100% das minhas condições. Mas eu não estava tão mal ainda (entre 70 e 85%, imagino). A gripe só foi se manifestar com toda a força depois da prova. Só agora, quinta-feira, posso me considerar uns 95% recuperado.

Corri sem GPS e sem olhar para o cronômetro. Fui só na sensação de esforço. Na verdade, nem encontrei as placas de quilometragem exceto a do km 3. Eu só queria ir o mais rápido possível e terminar. Sofri muito no começo mas depois do km 3 ficou mais fácil. Na hora eu achei que era por meu corpo estar mais aquecido no final. Na verdade, o começo é uma leve subida e o final é uma leve descida (leia este relato de uma prova no mesmo percurso).

Percurso dos 5K da Fila Night Race, do Circuito Adidas e da Night Run em Curitiba.

Quando cheguei e meu cronômetro apontou 22:04, fiquei muito satisfeito. Sim, sei que isto é mais do que a metade do meu recorde pessoal nos 10K (43:33), mas considerando a gripe e o fato de eu não gostar de correr à noite, foi ótimo. O tempo oficial foi 22:00.6 (arredondado para 22:01) no site. Fiquei em 3o. lugar na Categoria M-40-44 e 27o. no geral. Veja os resultados aqui.


Mensagem recebida pel celular.

Cronômetro e medalha.

Foto tirada logo após a prova.


Claro, por ser uma prova cara, em julho (mês de férias), à noite e sem prêmios em dinheiro ou mesmo troféus para a faixa etária, muitos bons corredores não foram.

Será que foi recorde pessoal nos 5K?

Até agora estou com esta dúvida. Será que meu desempenho nesta prova valeu como recorde pessoal calçado nos 5K? Por que tenho esta dúvida? Porque não sei se o percurso dos 5K foi corretamente aferido (apesar de constar como aferido no site da Federação de Atletismo do Paraná). E 5K é uma distância muito curta. Quaisquer 200m podem ser a diferença entre obter ou não recorde pessoal. Se o percurso não foi aferido, pra mim não é recorde pessoal.

Outro fator é que quando uma prova de 5K ocorre simutaneamente com uma prova de 10K, a prova de 10K pode até ser aferida mas a de 5K não necessariamente é.

Eu já havia feito 21:57 numa prova de 5K  em 30/10/2011, mas esta prova deu 4,68Km no meu GPS e tenho quase certeza que ela não foi aferida. Além do mais, na época eu estava na faixa 35-40. Agora estou na faixa 40-45. Os recordes mundiais para masters são diferentes a cada 5 anos, portanto meus recordes pessoais também são por faixa etária.

Outro fator importante na minha definição de recorde pessoal é o que está no pé. Para cada distância e faixa etária, tenho meu recorde pessoal descalço e o recorde pessoal calçado. Uma prova de 5K acho que fica mais fácil descalço.  Mas a largada e a chegada desta prova é dentro do Jóquei Clube de Curitiba, num terreno bem ruim. Além disso, estou sem treinar descalço regularmente faz pelo menos um mês e meio (por conta de frio e de uma pequena lesão que veio de usar calçados apertados).  Um complicador adicional para correr descalço é o fato de ser uma prova noturna. Portanto, corri de Newton MV2.

O Newton MV2 é ótimo, mas exige mais força das pernas do que correr sem nada no pé. Sem contar que os defensores de corrida descalça acreditam que qualquer calçado exige um esforço extra para manter a forma correta de correr.

Amigos

Esta prova é uma daquelas provas lotadas de Curitiba. Acho que só perde para as do Circuito Adidas. Mas devido ao frio, foi bem menos lotada do que de costume. Encontrei vários amigos e conhecidos antes da prova: Gi Souza, Ademir Manfroi, Annie, Divino Julian, Hilma, Ben-Hur, Anderson Ribeiro e sua esposa Paula, Mauricio (treinado pela grande Roseli Machado). Conversei bastante com o Ben-Hur, que já conhecia de outras provas e treinos no Parque Barigui, e com o Julian (que também estava no Espaço VIP). E, claro, também estavam lá a Marcia e a Rosana do Positivo Run.

Como estava todo suado depois da prova, para não piorar da gripe, assim que terminei  fui embora.  Não encontrei vários outros amigos que sabia que estariam lá.

Sobre a Organização da Prova


Achei esta prova ótima no quesito organização. O principal problema dela é ser cara. Custa 95 reais a inscrição! Mas o kit é bem recheado:





Teve show com o grupo Patubatê (infelizmente aproveitei bem pouco pois saí logo após correr), tenda de massagem, tenda com brindes da Gomes da Costa, teda de fotos, tenda para venda de produtos da Fila (e acho que tinha também teste da pisada, mas sabemos que este teste não significa nada, não é?), água em garrafa durante a prova (alguns gostam, outros não), isotônico em copo após a prova.

O percurso foi aferido pela Federação Paranaense de Atletismo, como pode ser visto em http://www.atletismofap.org.br/Corrida.html.


Além disso tudo, havia um espaço VIP, no qual pude entrar em virtude de ter ganho no sorteio. Lá havia frutas, café e lanches.

Leia também o relato com fotos do Julian Runner,  e o relato da Hilma no Corridas do Luizz.

domingo, 7 de julho de 2013

Treinar por Ritmo, por Distância ou por Frequência Cardíaca? (e a Segunda Maratona)

Abaixo uma extensão de um comentário que fiz no blog do Mauricio Neves Geronasso:
http://tecnorunners.blogspot.com.br/2013/07/aplicativos-para-corrida-ii.html

Acho relógio com GPS desnecessário. Muito caro pro serviço que oferece. GPSs não são muito precisos. Leia aqui um excelente texto de Diogo Venancio no blog do Sergio Rocha sobre a (falta de) precisão dos aparelhos de GPS:

http://revistacontrarelogio.com.br/blogs/corredolatra/2012/09/05/por-que-o-gps-que-usamos-nao-e-preciso/

Uma sugestão para verificar esta imprecisão é, após um treino, entrar no site para onde você manda seus arquivos (eu, por exemplo, uso o RunKeeper) e dar um zoom no mapa do treino.

Lá, se você não pediu para o software fazer uma correção do mapa, dá pra ver que o GPS registrou você fazendo vários zigue-zagues que você não fez na vida real.

Eu tenho GPS no meu celular. É ele que uso para registrar meus treinos. Meu relógio tem apenas frequencímetro. Controlo meus treinos ou pela sensação de esforço ou pela frequência cardíaca.

O problema de controlar o treino por ritmo é que num dia você pode sair disposto, por exemplo, a fazer um ritmo de 5:00 min/km, que normalmente é um treino bem aeróbico para você. Mas, por conta de algum stress na sua vida, esse ritmo te leva, naquele dia, a treinar em modo mais anaeróbico. E aí você deixa de treinar o sistema mais importante para corredores de resistência, o aeróbico.


Com o treino por frequencia cardíaca (FC) isso não acontece. Se você estiver estressado no dia, sua FC vai indicar isso e seguindo sua FC você vai ter que desacelerar, mantendo-se num ritmo aeróbico e treinando o sistema que realmente interessa.

Também não gosto de treinar por distância. Eu normalmente não tenho uma distância disponível. Eu tenho tempo disponível. Por exemplo, posso ter 45 minutos para treinar antes de ir para o trabalho. Faço a distância que for possível neste tempo, incluindo aí aquecimento e desaquecimento. Deixar de aquecer ou desaquecer para mim não é agradável.

Quando eu treinava por distância acabava privilegiando os percursos mais planos. Só que as provas aqui em Curitiba tem muitas subidas e descidas.  Treinando assim eu não ficava bem preparado para as provas daqui.

Portanto, pra minha segunda Maratona só vou treinar por tempo (exceto quando forem treinos em pista e os testes MAF mensais). Por exemplo, não sairei de casa pra fazer um Longão de 32Km. Sairei para fazer um Longão de 3h, por exemplo. Quando eu saía pensando numa distância específica, ainda tinha a dificuldade de planejar de antemão um trajeto com a distância correta. Agora não tenho mais este problema. Vou até a metade do tempo e depois volto. Ou faço várias voltas num percurso curto. 
  

Segunda Maratona

Hoje foi a primeira Maratona de muita gente, no Rio de Janeiro.

A minha primeira foi ano passado, aqui em Curitiba mesmo: http://professoradolfo.blogspot.com.br/2012/11/maratona-de-curitiba-2012.html

No início do ano o plano era que a segunda fosse em Porto Alegre. Faltou dinheiro.

Depois até pensei em fazer a do Rio. Mas a do Rio é mais cara ainda (os custos principais de uma maratona são transporte e hotel, nesta ordem). Não deu também.

Agora meu plano é fazer Segunda Maratona em Floripa (29/09). Pelo menos sei que dá pra ir de ônibus até Floripa. E hotel por lá não é tão caro (e talvez até nem precise).

Agora o negócio é me preparar. Fazer os longões, os treinos em pista, e manter o ritmo de treinamento.

sábado, 6 de julho de 2013

Treinando na Raia 7

De vez em quando, treino numa pista de atletismo.

Esta semana quis fazer tiros de 800m.

Quem conhece pistas de atletismo sabe que a única raia com exatos 400m é a Raia 1 (a mais próxima do centro da pista). Observe no vídeo abaixo como numa prova de 400m todos ficam na raia em que largam mas os corredores das raias de número maior largam mais à frente (para compensar o fato de sua raia ser mais longa):



O problema é que na pista onde treino a Raia 1 é reservada. Não sei pra quem, mas é reservada. Sempre tem barreiras (daquelas que os corredores de provas com barreiras saltam) na Raia 1.

Por esta e outras razões, uso a Raia 7.  É possível fazer tiros de exatos 800m na Raia 7? Após perguntar no Facebook (tanto na minha timeline quanto no grupo Twittersrun), fiquei sabendo que não é possível.

Se a pista em que treino tiver as medidas oficiais da IAAF, 2 voltas completas na raia 7 são 884m (aproximadamente 442m cada volta). Mas não tem nenhuma marca de 84m na Raia 7. Por que? Porque em provas de 800m, após a primeira curva todos podem ir para a raia 1! Veja no exemplo abaixo, em que o grande David Rudisha ganhou o ouro em Londres 2012 e bateu o recorde mundial:





Até dá pra fazer 400m, 200m e 100m exatos na raia 7. Tem marcações para estas distâncias na pista. Mas 800m exatos não dá.

Bem, o que concluí disto tudo? A Giovana Kaupe e o Geison Schmidt Soares (de forma independente) disseram que fazer 884m (ou 842m, se eu largar da marca dos 400m) para mim que treino para provas de rua, não faz diferença.

A Greiciely Lopes disse que na Raia 1 você tem mais chance de se lesionar: "Continue correndo na 7 que será muito melhor!". Isto acontece pelo fato de o ângulo nas curvas na Raia 1 ser menor, aumentando a tensão nas articulações.


O André Tarchiani Savazoni sugeriu: "Uma possibilidade também, é se treinar de GPS, programar o treino. Contando com a margem de erro. Ou seja, se vai fazer o treino de 800m na raia sete, programa 820m no GPS e estará próximo da referência de tempo e por aí vai....".


Eu achei que a precisão na distância fosse importante após assistir este prograna do Corrida no Ar "Quer ser mais rápido na rua? Vá para a pista!". Devo ter entendido mal. De todo modo, o programa ficou muito bom. Assista abaixo.






Outro exemplo de largada não lado-a-lado - 200m vencidos por Usain Bolt:

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