segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

A Situação do Minimalismo e da Corrida Descalça em 2016

Comecei a me interessar por corrida descalça e minimalismo em 2011.Lembro de ter lido o livro Nascido para Correr, de Christopher McDougall. Entusiasmado pela leitura, na entrega dos kits da Maratona de Curitiba 2011 eu comprei um calçado minimalista: o Vibram Five Finger KSO. Sim, naquela época você conseguia encontrar VFFs em lojas! No caso, na Track & Field do ParkShopping Barigui. A Procorrer de Curitiba também tinha modelos de VFFs.

Hoje vejo que o VFF KSO preto que comprei na época era muito apertado. Rasgou-se na região dos dedos. E fica aqui um alerta importante: VFFs são perigosos. Eles te permitem correr com forma inadequada e sem proteção. Para começar, é mais seguro descalço. Se tem uma coisa que não mudou de 2011 para cá é que as melhores instruções sobre como começar são estas aqui, do Barefoot Ken Bob Saxton traduzidas (acho) pelo Leonardo Liporati. O Verão talvez seja a melhor estação para começar. Ao menos aqui em Curitiba. Mas é preciso cuidado com o asfalto que pode ficar quente demais em certos horários.

Até onde sei, temos dois grupos online onde simpatizantes do minimalismo e da corrida descalça no Brasil se encontram: o Corrida Descalça no Google Plus e o Corrida Natural no Facebook.

O Corra Descalço (164 membros hoje) tem a vantagem de ter o Leonardo Liporati, nosso grande pioneiro. Mas o problema é: quem usa Google Plus? De todo modo, discussões muito boas acontecem por lá.

O Corrida Natural (136 membros) tem a desvantagem de ser no Facebook. Facebook é uma rede que devemos evitar usar, por várias razões. Mas como muitos usam, lá são compartilhadas experiências de vários corredores brasileiros que treinam descalços e/ou usando calçados minimalistas.

E é claro que devem existir pessoas, amantes do minimalismo e da corrida descalça, fora destes grupos e que postam suas atividades no Instagram, no Facebook, no Twitter... Ou não postam em nenhum lugar mas aparecem descalços nos parques, nas ruas, nas provas.

Hoje em dia, comparado com 2011, há um incentivo extra para o minimalismo: pessoas do mundo paleo/primal divulgam o minimalismo. Um bom exemplo é o Mark Sisson, do site Mark's Daily Apple, fã dos Vibram Five Fingers. E nem é para correr apenas, mas sim para fazer exercícios em geral, mesmo caminhadas ou exercícios funcionais estilo Crossfit, MovNat, Parkour.

Nosso grande problema aqui no Brasil (e não é muito diferente em outros países) é a dificuldade para encontrar calçados minimalistas.

O que é um calçado minimalista? Alguns pontos em comum:

  • peso leve
  • bastante espaço para os dedos
  • drop zero
  • solado fino (<10 li="" mm="">
  • sem suporte de arco
  • amortecimento próximo de zero 


É óbvio que a maioria das pessoas não está pronta para este tipo de calçado. Mesmo andando com eles poderão se machucar ao pisar em pedras. Pode ser perigoso para alguns.

Um exemplo de calçado que satisfaz a maioria dos requisitos acima são os VFFs (ou ao menos a maioria dos modelos de VFF, pois existem vários). VFFs foram a vedete do minimalismo em calçados alguns anos atrás. Hoje é muito difícil encontrá-los mesmo em lojas nos EUA. Tanto lá como cá dá para comprar online. Mas aqui tem o problema adicional do frete, do preço em dólar e dos impostos.

No boom do minimalismo algumas marcas entraram e ofereceram bons modelos: New Balance, Saucony, Skechers, Inov-8. Muitas destas marcas saíram do mercado de minimalistas. Outras fingiram entrar, como a Nike com seu falso minimalista Nike Free, que até hoje existe mas é bem pouco útil.

Algumas marcas permanecem firmes: Vivobarefoot, Luna Sandals, Xero Shoes. A Xero acabou de lançar seu primeiro calçado fechado. Antes só produzia sandálias huarache. São empresas pequenas que cobram caro. Mas é melhor que cobrem caro e continuem a existir do que cobrar barato e sumir, deixando-nos sem opção. Outras de que me lembro: Lems, Soft Star. Na loja online Two Rivers Treads, do Mark Cucuzzella, você encontra várias opções.

Bem que o Brasil poderia ter uma empresa dedicada a este tipo de calçado. Mas as únicas iniciativas de produzir calçados minimalistas não são empresariais:


E são sandálias e não calçados fechados, o que limita seu uso.

É possível encontrar calçados menos proejudiciais em meio às coleções comuns? Às vezes, mas é muito raro. Dia desses comprei um sapatênis em que o amortecimento e o drop estavam na palmilha. Troquei a palmilha e fiquei com algo bom e apresentável para usar no dia-a-dia.

E a Ciência? Alguns esperavam que ela iria mostrar que correr descalço diminui lesões e resolve todos os problemas dos corredores. Não é bem assim. Uma linha de pesquisa interessante é a que estuda como deve ser feita a adaptação. Mas ao menos não surgiu nenhum artigo "demonstrando" que corrida descalça faz mal. Portanto, no mínimo é tão prejudicial quanto correr calçado. E por que não tentar corrida descalça, desde que em ambiente seguro?

Alguns reclamam da estética. Mas estética é algo aprendido e que pode ser modificado. E depende de contexto, claro. Não dá (ainda) para ir a uma reunião formal descalço. Mas correr no parque? Qual o problema? Os olhares e comentários dos outros? Por que se importar com os outros?


domingo, 27 de novembro de 2016

Competição e Confusão

  Estou lendo o livro No Contest, de Alfie Kohn (até onde sei nunca traduzido para o portugês - mas outro livro seu, Punidos pelas Recompensas, já foi traduzido). Uma possível tradução do título seria algo como "Sem Concurso: o Caso contra a Competição".
No Contest
Aqui uma tradução do resumo do livro segundo o Goodreads: "Sem concurso é a crítica definitiva da competição. Ao contrário da sabedoria aceita pela maioria, a competição não é básica para a natureza humana; Ela envenena nossos relacionamentos e nos impede de fazer o nosso melhor. Nesta nova edição, Alfie Kohn argumenta que a corrida para ganhar transforma todos nós em perdedores."

Não lembro quando exatemente comecei a me interessar pelo tema, mas lembro que Christopher McDougall fala contra a competição em Natural Born Heroes, o pessoal do Parkour é contra competições, o pessoal do MovNat foca em cooperação.

O livro é bem completo. Qualquer argumento que você lembrar do tipo "Ah, mas competição melhora X" ou "competição é boa para Y", o livro aborda e deixa claro (na minha visão) que não é verdade. Por exemplo, o livro deixa claro que participar de competições não melhora o desempenho de um grupo.

O livro diz também que "competição consigo mesmo" não é competição. Portanto, se você participa de corridas em busca de seu recorde pessoal, sem problema! Mas se participa buscando troféu, de categoria, aí o livro pode ser bem útil para você. Segundo o livro, pesquisas mostraram que gente com pouca autoestima é quem se dá melhor em competições.

Uma coisa que observei também é uma certa associação entre competição e confusão: doping, brigas entre torcidas, etc.


domingo, 20 de novembro de 2016

Exemplo de Movimento Primal/Paleo - 20/11/2016

Saí caminhando. Caminhei por um a dois minutos e depois comecei a correr leve. A corrida foi em ritmo Maffetone ou ainda mais leve, mas sem medir a Frequência Cardíaca, usando apenas a respiração como indicador. Isto é, se dava para correr tranquilo com a boca fechada, estava num ritmo bom.

Aos 11 minutos cheguei à Academia ao Ar Livre do Orleans. Lá me movi nos aparelhos disponíveis, mas não da forma que eles sugerem, claro. Sempre uso os aparelhos para fazer movimentos inspirados em Parkour e Calistenia. Ao lado da Academia tem um Jardinete com uma árvore que também gosto de escalar. É uma árvore baixa e segura. Não é meu objetivo me arriscar a cair.

Depois de 10 minutos entre a Academia e a árvore, comecei a voltar. Primeiro caminhando. Depois correndo levemente. E por fim caminhando mais um pouco. No trecho final de caminhada achei um local onde gosto de treinar cat walk (do Parkour). Mas hoje não estava com vontade a apenas me equilibrei em pé lá. Caminhei mais um pouco e foi o fim de treino, com 35 minutos de duração.





domingo, 9 de outubro de 2016

Lojas de artigos esportivos

Hoje em dia entro em lojas de artigos desportivos (hoje foi na Centauro) e acho que quase nada do que se vende lá é usável. Os calçados são ruins. Não preciso de camisetas tecnológicas (de algodão acho ainda melhor).

Luvas especiais? Para quê?

Patins? Tava em "promoção" hoje por 500 reais.Muita complexidade para pouco movimento funcional.

Queria mesmo era umas barras dessas em casa:

Praça 29 de Março, Curitiba


Mas acho que se tivesse em casa não iria valorizar tanto.

domingo, 18 de setembro de 2016

Subindo em (Escalando) Árvores


Ontem escalei uma árvore e um menino perguntou: o que você está fazendo? (ele estava se juntando a um colega para jogar futebol). Eu respondi que estava subindo na árvore. Hoje em dia estamos tão longe da natureza que subir numa árvore é considerado algo estranho... :)



Uma coisa que estava pensando é: não precisamos subir bem alto numa árvore. Basta um pouco. Eu geralmente chego a uns 2m de altura. Quanto mais alto, maior o risco de queda e pior a queda.

O livro abaixo é um guia para escalar árvores. Li a amostra da Amazon apenas.


The Tree Climber's Guide

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domingo, 11 de setembro de 2016

Voltas e Curvas

Estava pensando numa coisa durante meu treino de hoje.

Em primeiro lugar deixem-me descrever meu treino: foi um treino bem leve de corrida (apenas corrida) na vizinhança. Percorri aproximadamente 6 quilômetros em 52 minutos. E foi assim: saí de casa e fui correndo lentamente até chegar num ponto em que o meu relógio com GPS marcasse aproximadamente 3 Km. Aí voltei.



E é chato voltar pelo mesmo caminho. Até pensei em voltar por um caminho diferente mas aí iria estragar meu plano de fazer pelo menos 6 Km.

Nisso pensei nas pessoas que reclamam das provas que são em duas ou mais voltas.

Por exemplo, vai acontecer em Curitiba uma prova de 5Km em duas voltas dentro do estacionamento de um shopping. Parece chato, não é? E deve ser mesmo. Já fiz prova com até 3 voltas (parkrun Durham, NC). Era chato mas pelo menos a gente via os corredores indo na direção oposta e nos cumprimentávamos.


Mas por que é chato? Minha teoria: o ser humano não evoluiu correndo e voltando ao mesmo lugar. Se ele evoluiu correndo, as corridas eram de um ponto a outro.

As provas em geral tentam enganar nosso cérebro fazendo percursos em loop, em que você larga e chega no mesmo lugar, mas passando por pontos diferentes. Mas algumas provas são ponto-a-ponto, como a Maratona de Nova Iorque: você larga em um lugar e chega em um lugar bem distante da largada.

O que eu fiz hoje é muito chato porque eu fui e voltei pelo mesmo caminho sem ao menos dar um intervalo entre a ida e a volta. O ser humano deve ter evoluído fazendo Corrida-Transporte, isto é, usando a corrida para ir de um ponto A a um ponto B. Não fazendo percursos de ida e volta.

Expandindo mais um pouco lembro que a prova mais popular do atletismo de pista são os 100 metros rasos. Ela e os 200 metros rasos (e excluindo provas com barreiras, que na minha opinião são aberrações) são as únicas provas em que não se dá nem mesmo uma volta na pista do atletismo.

Dar voltas é chato. A prova de 400m dá uma volta apenas, menos mal. 800m são duas voltas. Mas os corredores dos 10000m chegam a dar 25 voltas. Deve ser extremamente chato. É chato para quem assiste.

Mas os 100m tem uma vantagem adicional sobre os 200m: não tem curvas. Para quem assiste a curva é chata pois dificulta ver quem está na frente. Para quem corre também deve ser ruim. Será que é por isso que quando faço meus treinos de tiros de 200m, 400m, 800m eu prefiro treinar na rua ou ir ao Lago da Universidade Positivo do que ir para a Pista? No Lago ainda tem curvas, mas dá para fazer uns 300m (talvez mais) quase em linha reta. Já na Pista não dá, claro.

Outra coisa que pensei durante o treino foi sobre a intensidade. Meu treino, como já disse, foi bem leve. Acho que, com isso, maximizei o uso das estruturas elásticas do meu corpo. E fiz o treino usando as sandálias Xero Shoes, que também ajudam neste aspecto. E fiz com a boca fechada a maior parte do tempo, também no estilo minimalista-aeróbico. Não tenho nenhuma grande evidência (além deste livro) mas acho que a combinação:

  • correr lentamente
  • com calçado minimalista ou descalço
  • com a boca fechada
  • usando a corrida como meio de transporte
é a forma mais paleo/primal de correr.

PS: Tenho que registrar este comentário do Ralph Tacconi que foi feito lá no Facebook, principalmente pela frase final que dá uma ótima ideia: "Nossa, penso exatamente isso. Acho chato ir e voltar. Loops então, chatíssimo. Meus longos são sempre de ponto A a B e volto de condução."

domingo, 4 de setembro de 2016

A Maratona de Curitiba 2016 vai acontecer!

Fiquei sabendo pelo Divino Julian (Julian Runner) que vai ter sim Maratona de Curitiba 2016.
Até então não estava confirmado. Quer dizer, confirmado estava mas não tinha inscrição aberta, nem data para abertura de inscrição, nem organizadora definida.

Para vocês terem uma ideia, maratonas até menores do que a de Curitiba nos EUA tem inscrições abertas 8 meses antes ou até mesmo um dia depois da Maratona do ano anterior.

A empresa organizadora vai ser a Thomé e Santos. Gosto desta organizadora. As provas de que participei organizadas por eles não tiveram grandes problemas. Mas, claro, não participei de todas as provas.

E é uma organizadora local, o que para mim é importante para a continuidade da prova.

Outra coisa de que gostei é que este ano vai ter, além da Maratona e das provas paralelas de 5K e 10K, também o revezamento em duplas.

As inscrições começam em 15/09 e a prova vai ser no domingo 20/11. Entre no evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/1687379571583594/

Gente muito boa de fora já avisou nas redes sociais que vem participar, como o André Savazoni, da Revista Contra-Relógio.

Eu não devo fazer nenhuma das provas, nem mesmo as menores (5K ou 10K). Bem, talvez faça. Vamos esperar.

Mas o ponto é que minhas paixões no movimento (que inclui corrida) mudaram um pouco. Agora estou mais interessado, quando corro, em distâncias bem curtas: 40m, 60m, 100m, 200m, 400m, no máximo 800m. Mais do que isso não acho que vale a pena. A não ser que seja uma parkrun.

E, claro, estou mais interessado em variedade de movimentos interessantes. Fui influenciado pelo Christopher McDougall, pelo Sock Doc, por Erwan Le Corre, Ido Portal. E por pessoas mais próximas como o Pedro Bronze e o Andre Cruz. Quero subir em árvores, fazer movimentos quadrúpedes, treinar força, agilidade. Ultrapassar obstáculos.

O Andre Cruz criou um grupo que eu ajudo a administrar:  Primal/Paleo Fitness Brasil.

E eu criei uma página: Primal and Paleo Fitness Brazil.

Passem lá para conhecer e boa prova para os que vão tentar a Maratona! Torçam para que o clima seja bom. A cada ano varia. Tem ano em que fica muito quente e tem ano em que o dia é nublado e bem agradável.

Foto: Valdecir Galor / SMCS


A photo posted by Julian Runner (@julianrunner) on

domingo, 28 de agosto de 2016

Correndo pouco?

Ultimamente tenho corrido muito pouco, comparando com o tanto que eu corria antigamente (2 anos atrás, por exemplo). Naquela época um treino meu era por tempo (1h) e geralmente dava uns 8Km de distância. Agora prefiro correr por apenas 30 minutos, e a distância obtida é algo em torno de 3,5 a 4 Km.

Hoje foi um belo domingo de sol em Curitiba. A temperatura chegou a 27 graus, o que deu mais vontade de sair de casa.

Minha preocupação com esta redução de distância percorrida é que fico menos condicionado para provas, mesmo as de 5Km.

Mas, por outro lado, correr menos libera mais tempo para que eu me dedique a outras atividades como a calistenia, o Parkour, o treino de força, etc.

Por exemplo, algo que eu nunca fazia quando somente corria era me movimentar por barras (como as do post abaixo). Hoje sempre que posso vou para uma praça brincar em barras.







quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Atualização

Faz tempo que não escrevo. Principalmente por não ter muitas novidades.

Continuo seguindo o Método Adolfo Neto (rs) de exercício e alimentação que consiste de:

  • Correr em ritmo lento a maior parte do tempo, como recomendam Phil Maffetome (usando a fórmula 180-idade), Mark Cucuzzella, Steve Gangemi, Mark Sisson.
  • Fazer treinos de tiro de corrida quando dá, mas sempre bem curtos (40 a 100m). E não fazer muitos tiros.
  • Fazer treinos de força e calistenia quando dá, de preferência ao ar livre. Gosto de usar as praças de Curitiba e as Academias ao Ar Livre.
  • Subir em árvores, sempre com bastante cuidado para não me machucar nem machucar a árvore.
  • Fazer movimentos inspirados no Parkour (Slow Parkour).
  • Consumir uma dieta inspirada na dieta paleolítica, low carb mas nem tanto, high fat mas não muito.
  • Trabalhar em pé sempre que possível.
  • Ficar em pé dentro do ônibus sempre que possível.
  • Fazer jejum parcial (consumo café com nata e adoçante) pela manhã quase todos os dias.
  • Exercitar-se de boca fechada quase todo o tempo. Esta dica é do Lee Saxby. E o Mark Cucuzzella gostou e adotou (ver imagem).
  • Fazer corrida-transporte quando possível.
  • Fazer sessões de exercício de aproximadamente 30 minutos, quase todos os dias (5 a 6 vezes por semana).  
  • Praticar exercícios descalço ou com calçados minimalistas.  

Enfim, eu gostaria de acrescentar outras coisas (natação, dança, levantamento de peso olímpico, CrossFit, argolas,  TRX) mas por enquanto é o que tenho conseguido fazer. Chamo de Método Adolfo Neto pois a ideia é que isto é o que eu faço. Não recomendo a ninguém. Veio das minhas leituras, da minha experiência e se aplica a mim.

Treinamento de Mark Cucuzzella para adolescentes. Ele pediu que colocassem fita na boca para forçar a respiração pelo nariz.

Desafio

Completei 44 anos ontem. Uma ideia que tive foi me fazer um desafio a cada aniversário. Não deve ser nada abusivo e deve poder ser feito até completar 100 anos ou mais. 

A ideia atual (e que comecei ontem) é correr mínimo(1000-idade*10,100) metros o mais rápido possível, com a boca fechada. Ou seja, ontem corri 560m. Ano que vem serão 550m. E de cem anos em diante serão sempre 100 metros. Pode ser feito em qualquer lugar. Não precisa ser numa pista. Ontem fiz na rua.

5 Anos

Quase não tenho participado de corridas mas lembrei recentemente que minha primeira corrida foi em 05/09/2011, quase 5 anos atrás. 

quarta-feira, 22 de junho de 2016

5K é a corrida ideal?

Recentemente apareceu um texto (num site do Nate Silver que às vezes faz previsões bem furadas) argumentando que a melhor distância para corridas são os 5 quilômetros. O texto foi escrito por Christie Aschwanden.

Segundo ela, os 5K (e não a maratona) é a corrida ideal pois:

  1. É possível correr bem rápido os 5K.
  2. Os talentos naturais de várias pessoas são mais na direção de potência e de velocidade do que de resistência.
  3. Vários estudos sugerem que a distância que normalmente se percorre em treinos para provas de 5K (16 a 50 Km por semana) são as mais adequadas para quem quer obter saúde e boa forma. Quando se percorre mais distância, os benefícios diminuem e podem até desaparecer.
  4. Treinar para 5K pode fornecer mais recompensa relativa ao esforço dispendido do que treinar para a uma maratona.
  5. Correndo menor quilometragem por semana diminui o risco de lesões.
  6. Treinar seriamente para provas de 5K pode melhorar sua boa forma (fitness). E treinar seriamente significa incluir treinos curtos e intervalados de alta intensidade (HIIT).
  7. Treinar para provas de 5K não atrapalha sua vida familiar como treinar para maratonas.
  8. Provas de 5K são mais baratas.
  9. Se você vai mal numa prova de 5K, pode tentar novamente na semana seguinte. Você pode correr uma prova por semana.


Meu comentário abaixo foi publicado em  https://blogrecorrido.com/2016/06/20/leituras-de-2a-feira-93/comment-page-1/#comment-7741 que comentou o texto. Tem outros comentários bem interessantes lá.

Interessante é que tenho gostado dos 5Km mas por razões bem diferentes das suas ou da Christie Aschwanden (do 538). Já fiz prova de 5Km sem dignidade, isto é, me esforçando demais, respirando a maior parte do tempo pela boca, terminando acabado. Em alguns casos fiquei doente depois da prova.  Hoje minha ideia é fazer provas com dignidade, num ritmo mais lento do que antigamente, mas terminando bem. Como isso provavelmente vai me fazer terminar a prova em 30 a 35 minutos, e sempre me aqueço antes das provas (10-15 minutos) e desaqueço (5-10 minutos), uma prova de 5Km é mais do que suficiente para me testar.  



Eu acrescento que, além dos pontos 1-9 acima, os corredores devem incluir outros tipos de movimentação na sua rotina: MovNat, Parkour, Lutas, etc. Se a pessoa faz isso, trabalha e tem família, fica difícil treinar mais do que 50Km por semana. Sendo assim, 5Km ou até mesmo uma milha são distâncias melhores para o corredor amador.


segunda-feira, 20 de junho de 2016

Frio, Chuva e Exercícios

Tem estado muito frio em Curitiba. Bem, frio para os padrões de Curitiba no outono (pelo menos desde que eu cheguei aqui em 2008) e mais ainda para os padrões do Brasil (Curitiba é provavelmente a capital com clima mais frio no Brasil).

Previsão do tempo em Curitiba a partir de 20/06/2016

O inverno começa hoje. Como o clima afeta minha rotina de exercícios? Complica bastante. Por exemplo, quando está muito frio e estou voltando do trabalho, estou cheio de agasalhos. Fica mais complicado fazer corrida-transporte de volta para casa. Tenho que começar agasalhado e aos poucos ir colocando os agasalhos na mochila, que fica mais pesada. E, quando chego em casa, já estou suado. Ficar suado no frio não é tão agradável, pois o suor esfria.

E como afetameus treinos de Parkour/Movimento Natural? Quando chove, os obstáculos/aparelhos ao ar livre que uso ficam escorregadios e aumenta o risco de quedas e machucados. E não é agradável sair para treinar no frio.

Aparelhos ao Ar Livre

Mas o pior mesmo foi que com o frio fiquei gripado. Tive febre, tosse e bastante secreção. Começou nesta sexta (17/06). Hoje (20/06) já estou melhor mas ainda sem querer arriscar correr nem mesmo os 3,7Km do trabalho até em casa.


terça-feira, 24 de maio de 2016

Não há nada de mágico sobre o café da manhã

Eu sou da época em que se achava que o café da manhã (desjejum) era a refeição mais importante do dia. Deveríamos, segundo um ditado, comer pela manhã como reis, no almoço como príncipes, e à noite como mendigos.

Aos poucos vamos descobrindo que isto é bobagem.

Um texto publicado ontem no New York Times  deixa claro que não há nada de mágico sobre o café da manhã. Até mesmo pede desculpas.

Eu não costumo comer nada pela manhã. Em geral tomo café com nata. Portanto não faço um jejum intermitente tradicional, só à base de água.  Mas não consumo nenhum carboidrato ou proteína pela manhã (ou ao menos até 11h30, que é quando almoço).

E por que faço isso? Porque é o que me dá vontade de fazer. Até seria mais prático e barato tomar café da manhã, pular o almoço, e depois só jantar. Mas, em geral, não tenho vontade de comer pela manhã. E quando tenho, simplesmente como.

O mais importante do texto de Aaron E. Carroll (professor de Pediatria na Universidade de Indiana) no NYT é deixar claro que muito que aprendemos sobre nutrição ou é baseado em ciência ruim, ou é baseado em interpretações incorretas de resultados científicos. Parafraseando Steven E. Nissen, será que a área de Nutrição é uma Área Livre de Evidências

Pelo texto do Aaron, sim. Ele lista vários erros que foram cometidos ao longo dos anos para apoiar a ideia de que o café da manhã é uma refeição importante, ou a mais importante. E a conclusão dele é que as evidências são uma bagunça e não dá para concluir que o café da manhã tem poderes místicos.

Matéria no NYT

PS: Que café da manhã maravilho na foto! Ovos com bacon. E por anos pessoas (eu, inclusive) acreditaram que isto engordava... Acredito que alguns ainda acreditam. 

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Os custos dos carros

Todo mundo que acompanha o blog sabe que sou fã da Corrida-Transporte.

Claro que sei também que nem todo mundo consegue praticar.

Alguns tem que usar carros, por fatores diversos.

O que raramente vejo ser abordado são os custos de ter um carro. Vou listar alguns:

  • O preço do carro em si, que no Brasil é considerado alto demais, por conta de impostos e baixa concorrência. 
  • O custo do seguro do carro. É bem arriscado ter um carro (mesmo que simples) e não ter seguro. E se você bate num carro bem caro? E se você se envolve num acidente com vítimas?
  • O preço do combustível. 
  • O preço da manutenção preventiva e corretiva.
  • O preço da atualização do carro. A cada x anos (e este x depende da pessoa) você vai ter que trocar seu carro por um mais novo.
  • O preço do estacionamento para quem, como eu, trabalha em locais que não dispõem de estacionamento ou em que não é possível deixar o carro com segurança na rua.
  • O preço dos impostos (IPVA, DPVAT).
Esqueci algum?

Já vi os itens acima serem abordados até em programas de TV, apesar de isto ser raro. Na matéria uma pessoa entrevistada acabava concluindo que valia mais a pena usar táxi.

O interesse é observar é que alguns dos itens acima variam de acordo com o uso. Por exemplo, quanto mais você usa o carro, mais vai gastar com combustível. Já em outros casos, a variação em relação ao uso é pequena, o que acaba estimulando um pouco o uso do carro para quem já tem um.


Mas tem alguns custos que  não são frequentemente abordados. Eles são:
  • O custo para a saúde de ficar sentado por muito tempo. Ontem mesmo fui buscar minha filha na escola a menos de 5 Km de casa e tive que ficar 30 minutos sentado.
  • O custo de suportar o estresse no trânsito.
  • O tempo produtivo perdido dentro do carro. As únicas coisas úteis que dá para fazer dentro do carro são ouvir música, escutar podcasts e conversar.  Ao menos no ônibus/metrô dá para ler.

PS: Tem um custo que também não é muito considerado: o custo psicológico de batidas e atropelamentos. É raro, mas às vezes quando dirigimos batemos em alguém, ou alguém bate em nós. Ou, pior, atropelamos alguém, mesmo que sem culpa. É um saco lidar com isto.

PS: os comentários do Lucas Arruda são tão pertinentes que vou acrescentar aqui:

Interessante como quase ninguém contabiliza todos esses custos.

Além desses, ainda tem o 2 custos que são mais difíceis de se captar inicialmente:

- Custo de perda do investimento:
é o que você perde para inflação/investimento em termos de dinheiro, caso estivesse com ele aplicado num investimento ou poupança. ex.: supondo que gasta 50mil num carro. Esses 50mil, ao longo de 5 anos, vão virar R$ 67mil (50*1,06^5) numa poupança! Supondo que esse valor é o mesmo da inflação, você na verdade tem a mesma quantia, porém perdeu 17mil em termos de valorização do dinheiro se tiver adquirido o carro, 5 anos atrás. Ou seja, seu 50 mil em 2010 = R$ 67 mil em 2015. Só que gastando esses 50 mil o dinheiro não se corrige, então seu patrimônio desvalorizou 33%!

- Custo da depreciação do carro:
é aí que entra a realidade. Na verdade, seu patrimônio desvalorizou ainda mais. 5 anos depois, o carro de 50mil se vende por 25, 30 mil (as vezes menos!). Supondo 25 mil, na verdade você, além de todos os custos com o carro, você perdeu mais 25 mil. 

Então num carro de 50 mil, você teve perda de patrimônio de R$ 42 mil ou 63% do valor (em termos de dinheiro atual, pois 25 é 37% de 67 em 2015). Lembre-se que hoje, seu dinheiro está em 2015 e você teria R$ 67mil, mas tem só R$ 25mil se liquidar o carro.

Aí no final o gasto fica mais ou menos assim:
( (VALOR COMPRA - VALOR PERDIDO (desvalorização + investimento + inflação)) / NUMERO DE ANOS C/ CARRO ) + VALOR GASTO ANUALMENTE COM CARRO

Obs. 1: Nem chegamos a considerar aqui o gasto com o financiamento, que muita gente faz! Ex.: se financiar e no final você pagou 30mil a mais, quer dizer que tem adicionar esse valor dividido pelo número de anos c/ o carro. 30 mil nos daria um valor de 6 mil a mais por ano, em 5 anos com o carro!

Obs. 2: O preço de atualização não consideramos, porque aí você faz toda a conta de novo, sem considerar o preço do antigo. Ex.: Gastei 50 mil pra comprar, desvalorizou tanto, deixou de render tanto, etc.

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Outra coisa interessante que você trouxe:
Com o trânsito crescente de BH, eu ficava muito estressado de dirigir. Comutar com ônibus eu não tinha nada desse estresse!
Além de poder ler durante esse tempo (embora gastasse 40min ao invés de 20, tinha quase 1h30 de tempo de leitura / dia).



segunda-feira, 2 de maio de 2016

Longo comentário em Leituras de Segunda-Feira

Leituras de 2A Feira


Achei estranho o estudo do 1 minuto versus 45 minutos. Mas, antes das críticas, achei a ideia ótima.
Acho estranho que o texto pareça ser uma recomendação para treinar um minuto por dia.
O Nassim Nicholas Taleb, por exemplo, “treina” 10-20 horas por semana!!! Claro que as 20h são caminhada, mas ele diz que é essencial para a saúde, então qualifico como treino. E, claro, adiciona treinos de força aqui e ali.
Mark Sisson tem uma recomendação bem superior a um minuto. E posso citar vários outros, sem muita ciência por trás.
A diferença deste texto da Gretchen Reynolds é que tem ciência por trás.
Ela afirma:
“One minute of arduous exercise was comparable in its physiological effects to 45 minutes of gentler sweating.”
Como eles compararam? Que variáveis compararam? Em ciência a gente sabe que a escolha das variáveis é fundamental. Por exemplo, antigamente se comparava dieta vendo o efeito no colesterol total. Hoje sabemos que isto é bobagem.
No caso do artigo, foram apenas duas variáveis:
– the body’s ability to use insulin properly to regulate blood sugar levels.
– how well the muscles functioned at a cellular level.
Muito pouco. Precisariam medir mais para que os resultados me convencessem.
Outra coisa, foram 10 minutos de alta intensidade, e não um. Não entendo esta tara em excluir os minutos de aquecimento, desaquecimento e descanso.
O estudo durou 12 semanas. Doze semanas pode ser muito em relação a outros estudos mas é bem pouco.
E, claro, os participantes do estudo eram pessoas fora de forma.
Dito isto, eu acho que a recomendação de exercício contínuo é mesmo bobagem, apesar de poder ser prazerosa.


Completando: o treino de alta intensidade durou 10 minutos. 1 minuto foi a parte efetivamente em alta intensidade.
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O texto acima foi comentário ao post da imagem lá em cima.

Também escrevi um segundo comentário:


quinta-feira, 21 de abril de 2016

A verdade sobre maratonas em forma de humor?

A comediante Liz Miele publicou um curto trecho de seu standup em que fala sobre maratonas. Abaixo minha tradução (pode conter erros) e depois o vídeo:

É isso que eu faço no meu tempo livre:  eu corro bastante, eu corro maratonas e não estou me gabando pois não sou boa. Ainda estou terminando minha última (maratona).
Eu tenho corrido maratonas desde que comecei a fazer comédia standup e sempre que você faz algo estranho ou extremo as pessoas sempre assumem que não pode fazer também, o que nem sempre é o caso.
No caso da comédia standup as pessoas dizem "Oh meu Deus, você é uma comediante, eu nunca conseguiria fazer isso." E eu geralmente concordo pois elas são meio chatas. Provavelmente não poderiam.
Mas em relação a maratonas as pessoas não concordam. A pessoa diz: "você corre maratonas, eu nunca conseguiria fazer isso". Eu digo: "Sim, você poderia.". Você só tem que encontrar aquele equilíbrio perfeito de se odiar. E você consegue. Pois é só "cardio" (aeróbico). É só uma quantidade abusiva de cardio e alguns problemas familiares não resolvidos.
Você pode não concordar comigo, mas não acredite que alguém acorda 5 da madrugada num domingo para correr 42 quilômetros no frio porque gostam de si mesmos. Porque você sabe o que pessoas autoconfiantes fazem. Nada! Eles não se justificam ou pedem desculpas. Eles acordam num domingo pela manhã quando querem e comem queijo. Eu já vi.



Imagem do vídeo de Liz Miele. Fiquei sabendo através do Christopher McDougall.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Corridas elitizadas, corrida descalça e corrida-transporte: Jeferson Strujak na Corrida da SMELJ (Primeira Etapa 2016)

Jeferson Strujak


O Jeferson Strujak me escreveu:

"Caro amigo, 

Mais uma prova com os pés no chão e mente sã.

Há algum tempo decidi não pagar mais para correr e só correr as provas gratuitas ou ¨patrocinadas¨.

Porém estou pensando em criar novos parâmetros para participar das provas; eu sou um sujeito que não utilizo automóvel por princípios ideológicos e lógicos, e cada dia que passa as corridas estão ficando mais ¨etilizadas¨.

É a segunda vez que tenho que atravessar a cidade inteira em um sábado para retirar um kit de uma prova da prefeitura em uma loja totalmente fora de mão para a grande maioria das pessoas.

Seguem fotos para a comunidade.

Att.

Jeferson Strujak"


Tem tudo a ver com meus posts anteriores: Entrega de Kits longe demais e Vale a pena correr uma prova de 5K?

Jeferson Strujak

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Vale a pena correr uma prova de 5K?

Corri uma prova de 5K ontem.

Foi uma das provas com inscrição gratuita da Prefeitura de Curitiba.

Gastei aproximadamente uma hora, indo de carro, para ir buscar o kit no sábado.

Gastei aproximadamente uma hora, indo de carro, para ir fazer a prova no domingo.

Tive que acordar bem cedo no domingo. Cheguei umas 6h. A largada foi às 7h.

Terminei a prova em 26 minutos. Tempo demais para uma atividade intensa (minha frequência cardíaca média foi de 171, com pico de 182).

Vale a pena tanto investimento de tempo para fazer uma prova que se conclui em menos de meia hora?

Para somente correr?

Num percurso não aferido para a distância exata anunciada (disseram que foi aferido mas que tinha mais do que 5K - meu GPS registrou 5,5Km).

Para mim, hoje, não vale mais.

Talvez amanhã volte a valer a pena.
Talvez numa prova mais perto de casa valha a pena.
Talvez uma distância menor, mais curta e intensa, valha a pena.
Talvez numa prova curta (uns 3Km) e com obstáculos valha a pena.





sábado, 16 de abril de 2016

Entrega de Kits longe demais

Amanhã devo correr os 5K da primeira etapa de corridas da SMELJ em Curitiba. São corridas gratuitas organizadas pela Prefeitura Municipal de Curitiba. Em primeiro lugar temos que agradecer que neste ano de crise eles ainda mantenham esta iniciativa.

A entrega dos kits aconteceu numa loja que fica no bairro Hugo Lange.

Fica a 28 minutos (de carro!!!) da minha casa.

Por azar eu moro no lado oeste da cidade e a entrega foi no lado leste.

Mas não seria melhor se a entrega fosse num bairro mais central?

Não seria melhor ainda se o kit pudesse ser pego no dia da prova? Afinal de contas o kit é apenas chip e número de peito...

Do jeito que está (entrega num local pouco central), não seria uma prova somente para os que tem carro?




quarta-feira, 30 de março de 2016

Corrida-Transporte

Já escrevi bastante aqui sobre corrida-transporte.

Acho que é uma ótima forma de exercitar-se de forma econômica e ecológica.

Mas nem todo mundo pode praticar a corrida-transporte. Alguns por morarem muito longe do trabalho, outros por não terem um local para se trocar perto do trabalho, etc.

Algumas ideias:

  • Se você mora muito longe do trabalho, como eu, faça apenas um trecho do percurso usando corrida-transporte. Por exemplo, vá correndo até certo lugar e de lá pegue um ônibus.
  • Se você não tem um local para se trocar perto do trabalho, veja se não tem uma academia de musculação onde você possa se trocar. Onde trabalho, a mensalidade da academia é mais barata do que a mensalidade de um estacionamento.
  • Se você tem um horário muito rígido (e cedo) para chegar no trabalho, talvez seja melhor fazer corrida-transporte na volta apenas.
Mais algumas dicas:
  • Corrida-transporte quase sempre é feita com mochila. Aceite que isto vai diminuir o seu ritmo. Não faz sentido correr na mesma velocidade que você correria se estivesse sem mochila. E caminhe sempre que quiser. É infantil nunca querer caminhar. Caminhar e correr são atividades irmãs. Quando uma subida for muito íngreme ou estiver cansado, caminhe. Depois volte a correr.
  • No começo use a mochila que tiver. Mas depois, se você gostar da corrida-transporte, invista numa boa mochila com quatro faixas: duas em volta dos ombros (que toda mochila tem), uma na altura do peito e uma na altura da barriga.   Também é bom se a mochila tiver espaço para a circulação do ar nas costas.
  • Use calçados minimalistas. Não interfira demais com o que já deu certo: o pé humano.


quarta-feira, 16 de março de 2016

Revezamento Entre Parques (25K individual) 2016

Participei neste domingo da Corrida de Revezamento Entre Parques de Curitiba. Foi minha terceira vez nesta prova e minha prova de número 68.

Parque Tanguá, descida.


Em 2013 eu era parte de uma equipe de revezamento com quatro pessoas mas acabei acompanhando os outros colegas da equipe e fazendo a prova toda (na época 23,8Km) descalço.

Em 2014 eu fiz apenas um trecho (do Parque São Lourenço ao Parque Tanguá), o mais curto.

Parque Tanguá, visto de baixo.


Não participei em 2015.  Foi a primeira vez em que a Prefeitura oficializou o que muitos já faziam: a prova toda foi permitida para indivíduos. E o percurso total aumentou para 25Km. O trecho adicionado foi no Parque Tanguá: em vez de chegar lá em cima (onde fica o prédio que é a marca registrada do parque) e sair, agora os corredores agora tem que descer por uma descida "criminosa", ver uma bela vista lá de baixo, e subir de novo (pelo outro lado, a pior subida de todo o percurso).

Corredores tendo que dividir o espaço com carros, ônibus e bicicletas (que eram permitidas nesta prova como apoio).


Em 2016 inscrevi-me para o individal. Não quis ter o trabalho de formar uma equipe.  Mas eu sabia que não estava treinando para fazer tça distância e desde novembro de 2014 não tenho mais tido vontade de fazer treinos longos. Hoje para mim é muito mais divertido correr lentamente por 10 minutos, ficar 20 minutos numa Academia ao Ar Livre, onde faço calistenia, Parkour, MovNat, e depois voltar para casa correndo lentamente de novo. Correr exclusivamente por longo tempo (mais de 1h) parece monótono, parcial, incompleto demais para o Adolfo de 2016.

Parque Barigui
Mais fotos no álbum do Flickr.


Algumas observações sobre a prova para quem quiser fazê-la em 2017:

  • O percurso não é aferido e a largada nem tem tapete de cronometragem. Se você estiver indo pensando em bater recorde pessoal, esqueça.
  • A classificação é por tempo bruto. Se você estiver indo pensando em melhorar sua posição, na hora da largada vá lá para a frente. Se você for desonesto (espero que não seja), nem precisa largar junto com os outros. Pode "largar" perto do Parque São Lourenço mesmo que não vai fazer diferença no seu tempo já que o primeiro tapete de cronometragem é lá.
  • Aconteceram problemas nos pontos de revezamento. Eram muito estreitos e ficaram lotados.
  • Aconteceram problemas na entrega de kits. Filas enormes se formaram em alguns horários. E não gostei que foi no bairro Hugo Lange. Lá é bom para quem tem carro (bastante espaço para estacionar) mas ruim para quem vai de ônibus, pois não é um local central. Da minha casa até lá, por exemplo, dá mais de uma hora de ônibus.
  • Várias outras falhas na organização foram apontadas no PFC News 37, neste post no Papaléguas, neste outro post no Papaléguas, em mais um post no Papaléguas. Ops, teve mais um post no Papaléguas...
  • Os resultados da prova demoraram um pouco (só ficaram completos segunda à noite, salvo engano) mas estão aqui. Ainda faltam as parciais do revezamento...
  • Este ano aconteceram sérios problemas no controle de tráfego. Os corredores tiveram que passar entre carros, ônibus e caminhões em alguns trechos. Não é comum isto em provas da SMELJ. Eles geralmente fazem muito bem este controle. Talvez tenha sido por conta de uma certa manifestação que aconteceu à tarde e retirou policiais e guardas municipais do controle da prova. Veja este vídeo, que mostra o que aconteceu na Av. Anita Garibaldi (até 0:25) e na rua Flávio Dallegrave

Ponto da confusão do vídeo;





quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Comentário em "GPS SEMPRE? NÃO! POR FAVOR, NÃO!"

Escrevi um comentário tão longo em "GPS SEMPRE? NÃO! POR FAVOR, NÃO!", que achei que merecia um post:

“em nenhuma corrida você corre em piso tão regular em velocidade tão constante em linha reta” 

Digo mais, em corridas (de cidade – não se aplica a corridas cross-country ou de trilha) em geral você corre em condições muito facilitadas, que eu não encontro no meu dia-a-dia de corrida-transporte, por exemplo.

Nas corridas a gente corre no asfalto. No dia-a-dia eu corro na calçada.

Quando estive nos EUA, fui visitar o Steve Gangemi, o Sock Doc. Foi uma semana antes da minha participação na Maratona de Nova Iorque.

Ele me chamou para correr um pouco na área verde perto da casa dele. Na maior parte do percurso, fomos pisando em folhas secas (era outono). Em algumas partes tivemos que nos abaixar ou pular para transpor obstáculos.

Eu um momento até tinha que passar por cima de um riacho (que estava seco) através de um tronco. Eu evitei o tronco, fiquei com medo e passei por baixo.

Enfim, tudo isso para dizer que a Maratona da Nova Iorque, assim como toda maratona de rua, foi extremamente simples, em termos de movimentos, comparada com aquele treino de 1 hora.

E olha que foi um treino basicamente de corrida. Poderíamos ter subido em árvores, carregado pedras, mas eu não estava pronto naquele dia e apenas corremos.

Bem, escrevi tudo isso para dizer que sim, correr sempre *baseando-se* no GPS é um absurdo. Eu corro sempre com GPS (um Garmin 405CX bem velho que comprei usado por 20 dólares) mas quase nunca uso aquela informação para modificar meu treino. Apenas uso como registro (gosto de ver no Garmin Connect e no Strava o que aconteceu, por onde passei, como foi minha Frequência Cardíaca).

Ah, uso sim um pouco para modificar o treino: se a FC subir demais eu reduzo o ritmo. Mas isso hoje em dia é muito raro. Eu já tenho noção do ritmo em que gosto de treinar e reduzo a intensidade antes mesmo do frequencímetro avisar.

Eu treino leve, quase sempre (Método Maffetone), pois não quero entrar na zona “black hole”. E quando vou intenso não olho para a FC. Não dá tempo, pois são tiros de alguns segundos.

Correr ouvindo música eu não entendo. Caminhar? OK. Correr ouvindo música é muito perigoso para os treinos que faço, em calçadas, atravessando ruas.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Filósofos do Movimento: Ido Portal e Dan Edwardes

Tenho tomado conhecimento, após a leitura de Natural Born Heroes, de algumas pessoas que vêem o movimento como mais do que mera atividade física.

Ido Portal

Ido Portal

"Calçados com alta tecnologia, pés com baixa tecnologia. Quanto mais caros os brinquedos, mais pobre é o atleta."

"High tech shoes, low tech feet. The more expensive the toys, the cheaper is the mover."

"Se você não foi colocado para fora de uma academia, você realmente não está se movendo direito."

"If you haven’t been thrown out of a gym, you haven’t really moved yet."



Dan Edwardes


Dan Edwardes

"Pare de se testar e você enfraquece. Pare de se adaptar e você começa a morrer."

"Stop testing yourself and you grow weaker. Stop adapting and you start dying."

"Busque o que te deixa com medo. Enfrente o frio, abrace o vento e a chuva."

"Seek out those things that make you afraid. Face the cold, embrace the wind and the rain."

domingo, 31 de janeiro de 2016

Inauguração da sede própria da Academia de Parkour Ponto B em Curitiba

Estive ontem (30/01/2016) na inauguração da sede própria Academia de Parkour Ponto B, aqui em Curitiba-PR.

Participei de uma oficina, com duração aproximada de 15 minutos, coordenada pelo Cassio Junior.

Sinceramente não esperava gostar tanto quanto gostei. Achei que por ser um local fechado acharia chato. Mas a concentração de obstáculos num mesmo local permite um certo fluxo que é mais complicado de obter na rua. E a segurança de uma academia permite treinar movimentos que são bem mais complicados de treinar ao ar livre. Pude fazer a oficina descalço (estava quente demais) .


Depois da oficina filmei um pouco as atividades. Estava lotado! Umas 200 pessoas? Não tenho certeza, mas é possível. Todas as fotos que tirei estão aqui. Fotos melhores no evento no Facebook e na página da Ponto B.

Este vídeo (clique aqui) foi gerado automaticamente pelo Google. O Google Plus também criou uma estória a partir das fotos e vídeos. O vídeo acima (que está no Youtube) fui eu quem editou, mas está bem amador.









Desejo todo o sucesso possível à Ponto B!


 

Descalço, agricultor vence segunda edição da Corrida da Floresta

Não é um vídeo novo, mas precisa ser divulgado! 

São corredores bem originais, autênticos. E não tem medo de asfalto. Correram descalços e venceram.

O nome dele é Daison Rodrigues, de 22 anos, agricultor e morador do município de Mâncio Lima.

Ela se chama Gabriela Silva, de 15 anos, moradora do ramal da Buritirana, comunidade rural de Cruzeiro do Sul.

A corrida que eles venceram foi a Corrida Floresta Viva em Cruzeiro do Sul, no Acre, 2m 2015.



 

sábado, 30 de janeiro de 2016

Movimento Primal e Paleo

Uma coisa que me chateava muito no mundo paleo/primal/lowcarb/LCHF (mas parece que está mudando) era um foco exagerado em HIIT (High Intensity Interval Training - Treino Intervalado de Alta Intensidade). Havia um certo mito, até onde sei sem base científica, de que HIIT é o ideal para quem quer emagrecer e que qualquer outro tipo de atividade é perda de tempo.

Em primeiro lugar acho que nenhuma atividade é perda de tempo. Este foco em eficiência é bobagem e acho até perigoso. Estou falando daqueles comentários do tipo: "4 minutos de HIIT é muito mais efeiciente para queima de gordura do que 1h de corrida". Talvez até mesmo uma caminhada de uma hora de duração seja muito mais benéfica para uma pessoa numa determinada situação do que 4 minutos (estilo Tabata) bem intensos.

Então, que tipo de exercícios as pessoas em quem confio (Maffetone, Steve 'Sock Doc' Gangemi, Mark Cucuzzella, Erwan Le Corre, Nassim Nicholas Taleb, Mark Sisson, Tim Noakes, entre outros) acham que devemos fazer?

- Caminhada: é tão simples mas segundo Taleb é essencial para o ser humano. E as caminhadas, segundo ele, devem ser lentas e longas. Ele costuma fazer reuniões caminhando e conversando.

- Corrida: na maior parte do tempo em velocidade de lenta a moderada. Uma boa dica é seguir a fórmula do Maffetone caso você não saiba o que é lento a moderado para você. Em geral os corredores acham que estão correndo em velocidade moderada mas não estão. Tanto corrida quanto caminhada devem ser praticadas descalço ou usando calçados minimalistas.

- Movimento Natural. Existem várias linhas de movimento natural e a história destas linhas foi muito bem contada pelo Erwan Le Corre aqui e aqui. Erwan é apenas um sistematizador. Talvez o mais famoso hoje em dia, por conta de seu MovNat.

- Parkour, desde que com bastante cuidado, o que chamei de Slow Parkour. Parkour é uma espécie de Movimento Natural na cidade, talvez um pouco apressado e radical demais em alguns casos.

- Treino de força, também conhecido como musculação. De preferência não em academia! Máquinas ditam o nosso movimento e isto não é bom. Mas se você for para a academia para usar os pesos livres, OK. E se você está bem enferrujado, as máquinas podem ser a única alternativa. Foi para isso que elas foram criadas.

- Treino funcional. Alguns professores de Educação Física já dão aulas de treino funcional em parques, praias, etc. Não gosto muito da ideia. Prefiro sempre

- CrossFit. Gosto de alguns aspectos (treinar várias habilidades do corpo), não gosto de outros (um certo foco em competitividade e extremismo).

- Calistenia. É usar o próprio peso do corpo patra fazer movimentos, normalmente de forma lenta, o que torna bem seguro para a maioria.

Esqueci algum? Avise-me nos comentários!

E quanto tempo devo dedicar? Eu atualmente procuro dedicar 30 minutos nos dias úteis e até 1h nos sábados, domingos e feriados. Mas talvez seja pouco. O importante é ouvir o corpo.

E a intensidade? Acho que na maior parte do tempo (80%) deve ser leve a moderada, com pequenos trechos de maior intensidade.

E não é importante apenas o tempo em que você passa se exercitando. A semana tem 7 dias, cada dia tem 24 horas (total: 168 horas) e você acha que o que você faz por 3-10 horas na semana é tão importante assim? Até mesmo saber como ficar parado nas outras horas é importante também! Assista este ótimo vídeo: Sentar é o Novo Fumar, com Pablo Santurbano e Zak Moreira.

Bem, nada do que escrevi acima é uma orientação. É apenas o que estou fazendo a partir de tudo que li. O que você acha?

PS: Alguém comentou que esqueci de mencionar lutas. É verdade. Lutas podem ser bem paleo/primal.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Vanderlei Cordeiro de Lima: destaques da medalha olímpica em 2004

Todo corredor brasileiro conhece a estória da medalha de bronze de Vanderlei Cordeiro de Lima na Maratona das Olimpíadas de Atenas 2004. Se você não conhece, leia na Wikipédia, ou procure no Youtube por "Vanderlei Cordeiro Atenas 2004".

Em 2014 uma TV fez uma ótima matéria sobre a façanha (clique no link para assistir):


Alguns destaques da reportagem:

  • Quando era criança, Vanderlei corria pelas estradas de terra no interior do Paraná. Segundo ele, alguns jogavam pedras. Outros, laranjas. Segundo a mãe, alguns chamavam ele de "doido". A mãe dele tem um delicioso sotaque nordestino.
  • Ele correu sem relógio!
  • Ele sofreu um acidente de moto em janeiro de 2004 e fraturou a clavícula esquerda.  Como ainda precisava garantir a vaga para a Maratona Olímpica, correu e venceu (com tempo de 2:09:39) a Maratona de Hamburgo em 19 de abril! A Maratona Olímpica foi em 29 de agosto. Ou seja, ele teve apenas 4 meses e 10 dias para descanso e treinamento entre as duas maratonas!
  • Existe um Museu da Corrida (site oficial, página no Facebook), em Maratona, Grécia, e agora uma réplica do uniforme que ele vestiu e uma foto dele sendo atacado, ambos autografados, estão em exibição no museu.

A partir da leitura do livro sobre ele, que ainda não terminei, e do livro do Meb Keflezighi (medalha de prata na mesma maratona e que ainda pode vir à Rio 2016), que acabei de ler, acho que Vanderlei teve uma vida mais difícil do que a do Meb. Meb teve um começo de vida bem complicado, mas depois que chegou aos Estados Unidos, com 12 anos, as dificuldades diminuíram bastante. Vanderlei sofreu até à idade adulta. Morou em uma casa dentro da Usina Ester, em Cosmópolis-SP, quando já era corredor profissional. 

Stefano Baldini (o medalhista de ouro e Atenas 2004) e Meb acham que iriam alcançá-lo e ultrapassá-lo (está no livro do Meb). É possível, pois antes do empurrão eles já estavam diminuindo a diferença. Difícil ter certeza. Uma coisa é chegar, outra passar.



Vanderlei de volta ao estádio olímpico em Atenas

Vanderlei dando entrevista logo após a prova em 2004.

Vanderlei no pódio com Meb e Stefano Baldini

Vanderlei Cordeiro de Lima, em 2014, na Grécia
Dona Aurora, mãe de Vanderlei 

A Medalha Pierre de Coubertain, que poucos receberam por seu espírito esportivo

Museu da Corrida em Maratona, Grécia



quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

O problema com maratonas de rua


Maratonas (estou me referindo apenas às maratonas de rua -- maratonas em trilha ou montanha são outra estória) são muito planas. E nem estou falando de altimetria. Estou falando de terreno mesmo. A maioria delas acontece em ruas feitas para passar carros, caminhões, motos. Na região em que fiquei nos Estados Unidos, ao menos parte de duas das principais maratonas de lá ocorriam nas greenways. Mas mesmo as greenways de lá eram asfaltadas!

O fato de o terreno ser tão plano obviamente reduz bastante o risco de quedas (imagine uma maratona em calçadas!), mas deixa o movimento bem mais repetitivo. Compare o movimento de um maratonista com o do Erwan Le Corre no vídeo abaixo. Ele muda a passada para se adaptar ao terreno, faz curvas, se abaixa.



Em maratonas você só corre. Alguns até correm e andam (Gallowalk). Mas ainda asssim é muito mais corrida do que caminhada. Acho difícil imaginar uma situação na Natureza em que seja necessário correr ininterruptamente por 42 quilômetros.

Enfim, em maratonas de rua o foco é excessivamente em correr o mais rápido possível por um longo tempo. Maratonas são fragilizantes. E é melhor buscar ser antifrágil. O que você acha?




"Eu conheço pessoas que podem correr maratonas mas não conseguem correr rápido para salvar alguém a menos que calçem...
Posted by Primal and Paleo Fitness Brazil on Tuesday, January 19, 2016


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