sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Treino com Meb Keflezighi


Meb e eu

Nesta segunda-feira (29/01/2015), participei de um treino com Meb Keflezighi, talvez o principal corredor americano (nascido na Eritréia) de longa distância na atualidade, vencedor da Maratona de Boston 2014 e, anteriormente, da Maratona de Nova Iorque. Ele foi também medalhista de prata na Maratona Olímpica de Atenas 2004. Foi o segundo a ultrapassar o nosso Vanderlei Cordeiro de Lima depois que este foi empurrado por um maluco.

O treino aconteceu nas ruas do centro de Raleigh. O ponto de encontro foi em frente à loja Runologie, às 18h. Por volta de 18h15 Meb chegou e "discursou" para os aproximadaente 200 corredores presentes numa noite fria (uns 5 graus). Depois, respondeu 3 perguntas do público. Uma pergunta foi de uma menininha que perguntou como ele começou a correr (foi na escola aos 12 anos - fez um teste de atletismo e viu que era bem rápido). Um senhor perguntou o que os corredores de elite conversavam durante a maratona. Não lembro a resposta, mas lembro que ele disse que era amigo de alguns atletas de elite e que eles se parabenizavam após as provas.

Depois da perguntas, o treino começou. Os corredores mais rápidos (ritmo de aproximadamente 7 minutos por milha) saíram com um outro corredor de elite (não lembro o nome). Os mais lentos saíram com o Meb. Eu estava neste grupo mas era tanta gente que só vi o Meb nos primeiros segundos. O percurso tinha vários sinais de trânsito e paramos várias vezes.

Depois de voltarmos à frente da loja, formou-se uma fila, no frio, do lado de fora da loja, para tirarmos foto e pegarmos um autógrafo. Como eu tinha esquecido meu celular no carro, fui para o fim da fila depois de pegar o celular (nesse momento encontrei o Tyler Pake, que tinha avisado sobre o evento no Facebook). Foi servida pizza e cerveja de graça (não para quem estava na fila, mas se você deixasse alguém cuidando do seu lugar conseguiria andar um pouco e pegar a pizza e/ou a cerveja -- eu não quis).

Ficar na fila foi bom para treinar meu inglês. Fiquei conversando com um bombeiro chamado Neil. Estava lá com a esposa. Ele me contou que na região existe uma loja de produtos para corredores e triatletas chamada InsideOut. O proprietário é um brasileiro.  Contei a ele que um brasileiro tinha sido o medalhista de bronze em Atenas 2004 e o que tinha acontecido. Ele lembrou do caso.

O contato com o Meb foi bem rápido. A gente entregava a câmera para alguém (acho que do grupo Competitor, que estava promovendo o evento) e tirava uma foto com o Meb. Como a fila era grande, foi necessário ser rápido. Eu ainda comprei um livro do Meb que um auxiliar pediu para ele autografar na hora (sem incluir meu nome no autógrafo). E ganhávamos também uma foto autografada do Meb (também não identificada).


Enfim, foi bom ver que Meb é uma estrela, ao menos entre os corredores americanos.


Meb treinou de verdade em Raleigh:

Links:



terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Minha primeira parkrun


Sempre tive vontade de correr uma parkrun.

parkruns (assim em minúsculo mesmo) são provas de 5Km, gratuitas, organizadas por voluntários.

Já tinha ouvido falar parkruns na África do Sul e na Austrália.

Participei neste sábado,  24 de janeiro de 2015, da parkrun Durham, NC (página no Facebook). As parkruns de Durham acontecem todos os sábados 8h da manhã no Southern Boundaries Park. Como acontece num parque, nenhum trânsito precisa ser interrompido. E se tiver gente andando/correndo no parque, estas pessoas tem que ser respeitadas (veja as regras aqui).

Estava bem frio (uns cinco graus) mas foi a mais "quente" do ano. Pela primeira vez acima de zero, segundo os organizadores.

Por conta das chuvas, o percurso teve que ser feito em 3 voltas.

Foram cinco os concluintes. Veja os resultados aqui. O curioso é que além dos resultados por tempo tem também os resultados age-graded, isto é, comparando seu desempenho com a média da sua idade. Eu fui o segundo por tempo mas o primeiro em resultado age-graded.




Um relato dos organizadores está aqui. Depois da prova, fomos todos (corredores e voluntários) tomar um café da manhã no Foster's Market Durham.

Quero organizar algo parecido no Brasil. Alguém se voluntaria a me ajudar?

Fotos:













Registro no Garmin do percurso da prova que fiz.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Caminhar durante uma maratona pode reduzir o desgaste sem piorar o tempo, segundo estudo

Encontrei esta matéria através de um post do Jeff Galloway, o criador do método Gallowalk. O curioso é ver que muitas pessoas comentaram o post do Galloway no Facebook.

O link para o artigo científico (não a matéria que apenas descreve o estudo) é http://www.jsams.org/article/S1440-2440%2814%2900218-7/abstract. Abaixo o resumo do artigo e o post do Galloway:

Does a run/walk strategy decrease cardiac stress during a marathon in non-elite runners?


Abstract

Objectives

Although alternating run/walk-periods are often recommended to novice runners, it is unclear, if this particular pacing strategy reduces the cardiovascular stress during prolonged exercise. Therefore, the aim of the study was to compare the effects of two different running strategies on selected cardiac biomarkers as well as marathon performance.

Design

Randomized experimental trial in a repeated measure design.

Methods

Male (n = 22) and female subjects (n  = 20) completed a marathon either with a run/walk strategy or running only. Immediately after crossing the finishing line cardiac biomarkers were assessed in blood taken from the cubital vein. Before (−7 days) and after the marathon (+4 days) subjects also completed an incremental treadmill test.

Results

Despite different pacing strategies, run/walk strategy and running only finished the marathon with similar times (04:14:25 ± 00:19:51 vs 04:07:40 ± 00:27:15 [hh:mm:ss]; p = 0.377). In both groups, prolonged exercise led to increased B-type natriuretic peptide, creatine kinase MB isoenzyme and myoglobin levels (p < 0.001), which returned to baseline 4 days after the marathon. Elevated cTnI concentrations were observable in only two subjects. B-type natriuretic peptide (r = −0.363; p = 0.041) and myoglobin levels (r = −0.456; p  = 0.009) were inversely correlated with the velocity at the individual anaerobic threshold. Run/walk strategy compared to running only reported less muscle pain and fatigue (p = 0.006) after the running event.

Conclusions

In conclusion, the increase in cardiac biomarkers is a reversible, physiological response to strenuous exercise, indicating temporary stress on the myocyte and skeletal muscle. Although a combined run/walk strategy does not reduce the load on the cardiovascular system, it allows non-elite runners to achieve similar finish times with less (muscle) discomfort.




quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Correr 1h por dia em ritmo leve faz mal?

A partir de um post do Danilo Balu em que ele escreveu:

e




e cuja chamada no Twitter foi:




...escrevi o seguinte comentário que quero compartilhar:

O problema de textos como este do NYT  é que tem gente que acaba entendendo que correr 1h por dia faz mal, que treinar leve é inútil, etc. Canso de ler este tipo de bobagem nos grupos paleo do Facebook.

Até o Dr. Souto já abriu espaço para um texto que fazia cherry-picking e só olhava estudos muito curtos e bem limitados  como os citados pelo NYT.

É claro que treinos intensos (muito intensos) são úteis. A bobagem é com isso dizer que endurance não serve pra nada, ou que é prejudicial. Sock Doc já escreveu tudo aqui.




E certa vez perguntei pro Ross Tucker no Facebook o que ele achava e ele disse que era o mesmo caso da polarização lowcarb vs. highcarb: não existiam evidências suficientes para dizer que uma das coisas era melhor do que a outra em todos os casos, mesmo assim as pessoas tomam lados como se fosse uma religião.


Atualização:

Post original de Ross Tucker no Facebook sobre polarização que depois ele transformou em post:

Here are 3 quick tips on how to spot that you're on the "thin ice" of truth when reading popular media translation of science:
1) unnecessary polarization - a type of straw man error where the protagonist artificially creates an 'either/or' situation, polarizing a debate into A vs B. But not both.
This happened, in sports science, with the talent vs training debate. Was it 10,000 hours & training, or was it talent & genes? The correct response should've been "Both. Why must it be one without the other?" Yet books were written implying that the world had discounted hard work and training, which was ludicrous.
So beware of foolish, unnecessarily and non-existent polarization.
2) Selective presentation of supporting evidence. I call this the "dark side of the moon" error because the protagonist only ever shows that side of the argument that supports the story, leaving the rest in darkness.
Gladwell did this in his latest book, citing a study that supported his theory, but not mentioning that a follow-up study, far larger, did not. Conveniently "shielded" from an inconvenient truth, the reader has no idea of potential complexity of an issue.
In my field, I have seen this often in the diet debate - carbs vs fat (note the polarization of this issue, by the way. Refer to point 1).
Here, protagonists will show evidence that supports only their perspective, and potentially dozens of studies that do not are written off. Both sides do this, the result being that an individualized approach to diet is made very difficult. It also creates, and then re-inforces enormous confirmation bias, as people eagerly seek out those studies and anecdotes that support their view of their particular moon.
This is an irresponsible attitude to discovery, but one that most people do naturally, so it's easy to excuse as an accident. It can, as an upside, allow both sides to gradually adapt and meet halfway, nearer where the truth may lie, provided their egos don't prevent it.
Done often & willfully, however, it is an entirely different matter. In science, we are supposed to be held to a higher standard, but that too often does not seem to apply.
The truth will usually emerge when two views of the moon are combined, and a full picture is created. But it takes hard work to get round the back, and it doesn't come with quite the same limelight to acknowledge complexity and present two sides of a debate. Frustratingly, everyone loses.
3) Over-simplification. Related to 1 & 2, I suspect this is symptomatic of modern life - "If I can't understand it in a tweet, then it's not worth knowing".
In exercise and health, unfortunately, there are so many connections that when you pull a particular string, there are multiple possible outcomes, and they are rarely predictable. Simple causality of A leads to B is the message people want, but it rarely applies.
What is more, in things like health and performance, the outcome is often severely delayed from the action - it can take years for weight to be lost or health status to change or performance to become world class. People are terrible at acting when the result is so delayed, and so many confounding events can affect the outcome that the message sounds tepid and suffers from poor uptake. I am led to believe, thanks to a stimulating conversation recently, that nature conservation efforts are hampered by identical challenges.
It's little wonder then that the market embraces simplicity, even when it is foolish. Case study of this is the barefoot running debate, where a simple argument of "we are born without shoes, it's natural and thus better" has spawned an industry.
Even science weighed in, when a Harvard lab showed lower loading rates when barefoot. What they failed to mention was a) the loading rate-injury link is tenuous (and non-existent for many injuries) and b) not all barefoot running is created equal and some people, for reasons as yet unknown, go the other way and may be worse off.
The simple story, in other words, had a fair amount of fine-print. But hey, who reads that stuff anyway? There is no fine-print in a 140 character tweet.
The solution to these latter problems, by the way, is to remember one of the fundamental requirements in science - disprove it, don't prove it. If you want to advocate for barefoot running, set out to understand why some people fail. If you promote low carbs, then find people who do not achieve results with that diet. Failure to do this will make you blissfully unaware, possibly even happy and content, until you lead an army of followers off a cliff you should've seen coming.
Finally, science needs to own the translation of its findings better. There are amazing examples of this, but too often, it is left to pied piper storytellers to change the world. Gladwell is right about the inaccessibility of science, and we should address it. But without falling into the same traps of polarizing, oversimplifying and presenting the convenient side of the story.
Over and out
Ross

Minha pergunta e a resposta dele sobre a polarização HITT vs Aeróbicos:





segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Retrospectiva 2014 e Planos para 2015

Em 2014:

  • Bati meu recorde pessoal nos 5K, na Meia Maratona e na Maratona.
  • Fiz pela primeira vez uma prova de 1 milha (forma duas, sendo uma em descida) e uma prova de 8K.
  • Fui ao "pódio" pela primeira vez no geral (segundo lugar) e fui primeiro pela primeira vez na categoria.
  • Fiz minha primeira prova internacional (e foram várias).
  • Corri 5K descalço nos Estados Unidos.  
  • Conheci pessoalmente Steve Gangemi, o Sock Doc.
  • Pratiquei corrida transporte e criei o grupo no Facebook, junto com o Marcos Viana Pinguim.
  • Fui pela primeira vez voluntário numa prova.
  • Mantive-me treinando baseado em Maffetone e Sock Doc e fiz uma dieta inspirada em paleo e lowcarb.
Correndo na House Creek Trail, uma greenway em Raleigh, NC.


No final do ano (logo depois da Maratona de Nova Iorque) me lesionei. Na verdade a lesão (que não sei o que foi) já vinha de antes mas só ficou ruim mesmo depois da Maratona. Mas já estou bem agora. Era uma dor no canto do pé direito, na parte da frente.

 

Duas provas que quero fazer em 2015


Krispy Kreme Challenge (mas não vou comer os donuts!)
14 de fevereiro
http://www.krispykremechallenge.com/


Tobacco Road Marathon
15 de março
http://www.tobaccoroadmarathon.com/

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